As mediunidades de Chico Xavier
Foram múltiplas as facetas mediúnicas de Chico Xavier.
Desde os cinco anos, já via a mãezinha Maria João de Deus, desencarnada, e com ela conversava, imaginando-a ainda na posse do corpo físico...
A clarividência e a clariaudiência acompanharam-no ao longo de sua vida.
Médium de efeitos físicos, pessoalmente, pude constatá-lo, participando de reuniões com marcantes fenômenos de materialização. Aliás, a água fluidificada, rescendendo a perfume, era prática habitual nas preces de que participava o Chico.
Dezenas de vezes, eu trouxe para casa a garrafa com água perfumada e cor leitosa, sendo que a mudança da água cristalina, inodora e incolor, se realizava instantaneamente na presença de algumas pessoas e à luz do dia. Tenho comigo um lenço perfumado em sua presença — sem contato das mãos — no ano de 1967, há quase 40 anos.
Observei também fenômenos de transporte à luz do dia, em reunião com cerca de uma dúzia de pessoas. Perto de mim, enquanto o Chico psicografava, caiu, com forte impacto no chão, uma concha univalve, idêntica às que encontramos em nossas praias.
Presenciei, também em 1959, uma reunião de tratamento espiritual, em que Sheilla colocou sobre o rosto de meu pai um xale luminoso, de tecitura semelhante à escumilha, verde fosforescente. No ar pairavam, sem que nada as sustentasse, palavras como AMOR e JESUS, também de matiz verde fosforescente. Em uma senhora que estava há pouco mais de um metro de distância do local onde me encontrava, Sheilla colocou um colar de contas grandes luminosas, de mais ou menos 3 cm de diâmetro cada. A enfermeira espiritual comunicava-se conosco com seu forte sotaque alemão e caminhava com desenvoltura por todo o local da reunião.
O Chico se encontrava mais distante, acomodado em um leito, contíguo ao nosso ambiente, aliás, inundado por perfumes diversos, com a predominância do éter.
José Gonçalves Pereira, fundador e dirigente da Casa Transitória de São Paulo, até o seu falecimento, contava-me que, em sessões de efeitos físicos de que participava com o Chico, ainda em Pedro Leopoldo , presenciou, comovido, a materialização de sua saudosa mãe que com ele conversou longamente. Também nessas reuniões teve a indescritível alegria de ver materializado Emmanuel, mentor espiritual do Chico.
Com a intensificação de suas tarefas, junto ao livro, Chico reduziu, a pedido de Emmanuel, de forma drástica, as atividades de efeitos físicos, dado o desgaste natural que ocorre nesse tipo de mediunidade.
Chico psicografou, também em inglês e em italiano (tive contato recente com a senhora residente no norte da Itália que recebeu mensagem em italiano). Fala-se ainda de uma mensagem sua em sâncrito, sancionada pelos raros estudiosos da língua no Brasil.
Mesmo a psicografia da direita para a esquerda, dita especular, fez parte de sua poliforma mediunidade. Em São Paulo , na memorável reunião da Sociedade de Estudos Psíquicos de São Paulo, a 29 de março de 1937, na presença de mais de 600 pessoas, Chico psicografou mensagem em idioma inglês e em espelho, para surpresa geral.
Posso afirmar, pela longa convivência com Chico Xavier, que o amor irrestrito, a amizade e a caridade, a disciplina férrea, a simplicidade e a renúncia foram os elementos-chave de sua mediunidade sublimada. Como pessoa comum, Chico era o amigo de todas as horas, o companheiro solidário, prestativo, paciente, o papo agradável, atributos que definiam o norte de sua existência.
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