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"Queres felicidade.

Felicidade, porém, é uma construção a fazer.

O alicerce está em ti mesmo. Recorda: terás sempre o que deres de ti.

O retorno é de lei.

Ainda mesmo que em migalha, distribui a esperança e a alegria.

Mesmo sofrendo, oferece um sorriso aos outros.

Tanto quanto puderes, faze os outros felizes.

Pouco a pouco, terás centuplicadamente aquilo que semeias.

Não te esqueças: felicidade é devolução."

Emmanuel (do livro Sinais de Rumo)

 
Edição 176
Julho/Setembro 2007

EMMANUEL E NÓBREGA

Amparado pelo Apóstolo dos Gentios, conseguiu Publius Lentulus transitar nas avenidas escuras da carne, em existências várias, até encontrar uma posição em que pudesse servir ao Divino Mestre com o valor e o heroísmo daquela que lhe fora companheira no início da Era Cristã.
E assim temos, em Manuel da Nóbrega, o homem de raciocínio elevado, entregue a si mesmo em plena selva, onde tudo estava por fazer.

Noutro tempo, os livros prontos e as tribunas construídas, os direitos da família pré-estabelecidos e o dinheiro fácil, a sociedade constituída e o pedestal do poder para brilhar. Aqui, porém, eram a improvisação necessária e o deserto, as inibições do corpo deficiente que lhe apagavam a voz de tribuno, a insolência do selvagem recordando as feras do circo, à frente do qual devia imolar-se, consumindo as próprias forças para dar-lhe uma vida nova.

Surgiram ainda a devassidão e o crime, a ignorância e a audácia, os perigos mil que o hábil político transformado em missionário deveria vencer, exibindo não mais a toga do poder e as armas de seus guardas pessoais, e sim o sinal da cruz, sem mais ninguém que não fosse a sua pertinácia nos compromissos assumidos.

Entretanto, superou os óbices de toda espécie, lutou, sofreu e venceu, insculpindo com os poderes da idéia cristianizada um povo diferente e um novo mundo dentro do mundo.

Nóbrega podia ter vivido isolado no seu tempo. Contudo, desde cedo agregaram-se a ele multidões de amigos, exaustos de mando, de poder e dominação. E a teia dos destinos vai convertendo em trabalho para a coletividade tudo o que era cristalização do eu, em luz quanto era sombra, em liberdade espiritual o que era cárcere físico.
Da rocha surge o diamante no curso dos milênios. Também a luz divina fluirá de nós um dia, quando a escória estiver abandonada no carvão que servirá de berço a outros diamantes no curso longo e paciente das eras.

O serviço do nosso amigo está longe de acabar. É preciso criar espírito para o gigante — costuma ele dizer. O gigante é a terra em que hoje nos situamos e o espírito é a luz com que devemos continuar erguendo os padrões da fraternidade mais alta e de mais avançado serviço com Jesus, no Brasil todo.

Prossigamos marchando à frente! Anos e dias correrão. Estejamos certos da brevidade de tudo o que se movimenta sobre a terra, para agirmos com segurança e paciência. Para construir é preciso lutar. E para colher é indispensável haver semeado.

Cneius Lucius/Francisco Cândido Xavier
Livro: Diálogo dos Vivos – edição GEEM

 


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