No Limiar do Amanhã

Programa "No Limiar do Amanhã"

Todos os sábados às 19 horas.

Rádio Morada do Sol (Rádio Mulher)

 São Paulo - AM 1260 khz
 Araraquara - AM 640 khz

Sempre com palestras sobre temas
ligados ao Espiritismo.

 

  Ouça os programas anteriores

Revista Comunicação

Revista Comunicação

 

Leia a edição on-line

Revista Comunicação On-line

Palavras de Francisco Cândido Xavier

 

O FILHO EXCEPCIONAL

 

O poema Romance na Vida foi recebido em nossa reunião pública. O Evangelho Segundo o Espiritismo nos deu o item 8 do seu capítulo XIV e O Livro dos Espíritos a questão 372 para estudo.

 

Feitos os comentários por companheiros presentes, quem se comunicou foi o poeta Alphonsus de Guimaraens, doando-nos a peça poética que passo às suas mãos. Consideramo-la adequada e comovente.

 

Com surpresa, porém, na manhã seguinte à reunião, ao sair de casa, fomos procurados por uma senhora que nos trouxe o filhinho excepcional para conhecermos, solicitando o amparo do Dr. Bezerra de Menezes em seu favor.

 

Essa senhora, em quase penúria, disse-nos haver estado presente na reunião pública da véspera; só não trouxera o pequeno enfermo por ter chegado já muito tarde, procedendo de Ouro Preto. Deixara o doentinho em descanso numa pensão.

 

Conquanto muito sofredora, prestara atenção à mensagem e viera pedir uma cópia.

 

Comovi-me muito e fiquei meditando no assunto.
A seguir segue na íntegra a mensagem citada pelo Chico.

 


ROMANCE NA VIDA
Alphonsus de Guimaraens

 

No campo, em que o luar engrinalda a escumilha,
O par freme de amor, a noite dorme e brilha.

 

Ele, o poeta aldeão, era humilde pastor;
Ela, a fidalga, expunha a mocidade em flor.

 

Ao longe da mansão, quantos beijos ao vento!...
Quantas juras de afeto à luz do firmamento!

 

Em certa noite, a eleita envia antigo pajem
Que entrega ao moço ansioso imprevista mensagem.

 

“Perdoe — a carta diz — se não lhe fui sincera,
Desposarei agora o homem que me espera.

 

Nunca deslustrarei o nome de meus pais.
Nosso amor foi um sonho... Um sonho. Nada mais.”

 

Chora o moço infeliz, sem ninguém que o conforte,
Surdo à razão, anseia arrojar-se na morte.

 

Corre à choça de taipa. A gesto subitâneo,
Arma-se em desespero e arrasa o próprio crânio.

 

Foi-se o tempo... E, no Além, o menestrel suicida
Era um louco implorando um novo corpo à vida.

 

Um dia, a castelã, no refúgio dourado,
Morre amargando, aflita, as lições do passado.


Pendem alvos jasmins do féretro suspenso,
Filhos clamam adeus em volutas de incenso.

 

Largando-se, por fim, dos enfeites de prata,
Sente-se agora a dama envilecida e ingrata.

 

Lembra o campo de outrora e o pobre moço aldeão,
Pede para revê-lo e rogar-lhe perdão.

 

Encontra-o, finalmente, em vasta enfermaria,
Demente, cego e mudo em angústia sombria.

 

Ela suporta em pranto a culpa que a reprova,
Quer voltar para a Terra e dar-lhe vida nova.

 

A eterna Lei de Amor no amor se lhe revela,
Retorna ao corpo denso em aldeia singela.

 

Hoje, mãe a sofrer, fina-se, pouco a pouco,
Carregando no colo um filho mudo e louco...

 

Enquanto o enfermo espraia o olhar triste e sem brilho,
Ela vive a rogar: “Não me deixes, meu filho!...”

 

O romance prossegue e os momentos se vão...
Bendita seja a dor que talha a perfeição.

 

 

* Do livro Na Era do Espírito, edição GEEM.