Suicídio
O suicídio cresceu 60% nos últimos anos em todo o mundo, alcançando mais de 1 milhão de mortes por ano, o que significa que, na Terra, oficina de lutas e redenção espiritual que Deus nos concedeu, uma pessoa suicida-se a cada 45 segundos...
Mais de 90% de todos os casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais como depressão, esquizofrenia, transtorno bipolar e alcoolismo.
No Brasil, a cada 100 mil pessoas, cinco morrem por suicídio.
A ciência, de forma louvável, aprofunda-se no estudo das possíveis causas dessa tragédia humana. Rótulos e mais rótulos são elaborados, mas o que se observa é o contínuo aumento dos casos de suicídio.
O que se passa com o ser humano?
Por que tantas dificuldades para a ciência equacionar esse terrível problema?
Uma luz, há um século e meio, descortinou o manto diáfano da fantasia, por meio dos ensinamentos de Kardec, ao codificar a Doutrina Espírita, no século XIX, possibilitando, no século passado, a Chico Xavier consolidá-la, com as exemplificações da realidade da Vida além da morte e conseqüentemente ensinando-nos a vencer os compromissos por nós assumidos ante as Leis Divinas.
Vejam, amigos, o profundo significado da bela mensagem que apresentamos neste número do COMUNICAÇÃO, extraída do livro Assuntos da Vida e da Morte, edição GEEM, psicografado por Chico Xavier.
São conceitos simples, comoventes e reais sobre a Vida Espiritual e as possibilidades da cura efetiva do espírito, esclarecendo situações difíceis muitas vezes ligadas a compromissos cármicos e que podem induzir a criatura em desespero à prática de ato tão triste e comprometedor para o espírito, com repercussões familiares inapagáveis.
Meditemos sobre o que Emmanuel nos ensina no prefácio do livro:
— A morte para as criaturas terrestres terá um dia exato e virá aos homens pelos Desígnios de Deus?
Ousamos afirmar que a desencarnação tem dia certo, no tempo; no entanto, é justo comentar o problema na pauta da lógica: quando a pessoa humana recebe com paciência as dificuldades passageiras que precedem o fim do corpo de que se utilizou para o estágio, no mundo físico, encontrando a morte em ocorrências ou moléstias com as quais não contava, poder-se-á concluir, com razão, que o desenlace se verificou conforme as determinações das leis Universais, que, a rigor, sintetizam a Lei Divina.
Apresentamos a seguir a mensagem de Dimas para nossas reflexões.
Uma lição sobre o livre arbítrio e a individualidade do espírito em sua evolução rumo da Espiritualidade Maior...
A mensagem, recebida em 07.09.1984, facilita-nos a compreensão dos mecanismos que regem o livre-arbítirio e destaca a individualidade do espírito em seu processo evolutivo e o tempo de recuperação no Plano Espiritual, após a morte física, levando-nos a compreender que cada caso tem seu curso específico, condicionado à bagagem espiritual de quem o vivencia.
Nas explicações ou mesmo nas entrelinhas entenderemos o jovem Dimas, a sua constelação familiar e o depoimento de sua mãe, Sra. Lourdes Formenton, quando diz:
— Talvez eu não tivesse conseguido sobreviver à dor se não conhecesse Francisco Cândido Xavier.
DIMAS LUIZ ZORNETTA
19.04.1958 - São Carlos — SP
08.01.1984 – São Carlos – SP
Querida mamãe Lourdes, peço-lhe a bênção.
Vejo a Senhora com o nosso Valdo1 neste recinto de paz, mas não consigo enxergar as pessoas que nos cercam. Sei que dois amigos me trazem até aqui, mas ignoro quem sejam.
Mamãe, seu filho pede perdão pelo que fez, conquanto saiba que agiu sob a pressão de inimigos invisíveis que lhe golpearam a mente.
Eu não queria, mãe, não queria cometer aquele ato impensado, mas uma vontade muito forte me absorvia, e parece-me que fui um simples autômato para aquele ou aqueles que me indicavam o suicídio como sendo o melhor a fazer.
Tinha um monte de desculpas dentro de mim. Saudades de meu irmão Domingos2, as dificuldades da vida e a luta constante por melhorar-me, sem poder fazer isso. Andei por diversas ruas, pedi o socorro de Jesus por toda parte, mas aquelas mãos enormes e duras pesavam nas minhas.
Sei que não tenho desculpas e que devo assumir os meus próprios atos, mas a senhora não imagina como sofro... Por vezes, via o meu pai Abílio3 de relance, como a solicitar-me juízo e calma, entretanto as outras vozes eram mais poderosas e mais fortes.
No dia sete tomei alguns tragos para ganhar coragem, sem saber o que oferecia aos meus infelizes agressores, e no dia oito, pela manhã, já me achava transformado.
A nossa Maria4 me pedia paciência. Aleguei dor de cabeça e mal-estar. Ela arranjou algumas gotas de um calmante, cujo nome não me lembro, mas recusei aquele auxílio, abrindo a camisa e mostrando-lhe a arma que eu trazia no cinturão.
A esposa não acreditou que eu fosse capaz do gesto desesperado, mas, sem esperar que ela viesse impedir-me os movimentos, levei a arma à altura da cabeça e acionei o gatilho. Ela gritou e eu, a esgotar-me na perda de forças, lembrei-me, de repente, dos seus sacrifícios de mãe por nós. Entretanto, não tive tempo de recuar do mal que fizera a mim mesmo.
Amigos chegaram atendendo aos gritos de Maria e correram comigo para o hospital. No entanto, ainda ouvi o médico, se não me engano, o Dr. Pedro5,a dizer: “é tudo inútil”.
Compreendi que a hora havia chegado e pedi socorro ao irmão Domingos e a meu pai Abílio, mas em vão...
Os lamentos de quantos me rodeavam desapareceram de meus ouvidos e me vi sozinho, num pesadelo terrível, em que tentava, debalde, retomar o meu corpo sem vida; e nesse pesadelo estive muitas semanas, até que escutei vozes amigas a me convidarem para segui-las na direção do socorro de urgência.
Eu estava cego e deixei-me conduzir para tratamento. Nesse tratamento estou, e, hoje, essas vozes me convidaram a vir vê-la.
Como se estivesse beneficiado por um prodígio, que não sei esclarecer, vi a senhora com o nosso Demevaldo. E chorei, arrependido por tudo o que fiz, irrefletidamente.
Querida mãezinha Lourdes, perdoe-me, a mim, que caí num sofrimento assim tão grande! Fito a sua face, e a esperança me retoma o coração.
Lembro-me de seus dias de aflição em nossa casa e envergonho-me de pedir-lhe perdão e bondade que não fiz por merecer.
Mamãe Lourdes, dê-me as suas orações de paz e diga que me desculpa. Farei o possível para retomar-me do sofrimento em que ainda me encontro, a fim de lhe ser útil e à nossa Maria.
Sei que Deus nunca se empobrece de compaixão. Quanto mais infeliz está o homem, mais ampla se faz a bondade do Pai Celestial.
Ele me levantará por dentro de mim e concederá forças para ser seu filho outra vez, porque presentemente sou um trapo de dor e arrependimento.
Querida mãezinha Lourdes e querido Valdo, Deus nos proteja!
É tudo o que por agora posso rogar em minha condição de penúria espiritual, mas mesmo nessa penúria, querida mãe, sinto-me ainda seu filho e conto com o seu perdão para a minha falta... Não posso escrever mais.
Querida mãe Lourdes, receba as lágrimas que me ficam por dentro da própria alma, incapaz que me sinto de prosseguir escrevendo, e lembre-se de que seu filho espera do seu amor tudo aquilo que hoje não mais tem.
Todo o carinho com as saudades imensas do seu filho,
Dimas
Dimas Luiz Zornetta
07.09.1984
Esclarecimentos
1) Demevaldo Zornetta — irmão mais novo.
2) Domingos Donizetti Zornetta — irmão mais velho, desencarnado em 14.08.1983.
Importante ressaltar que Dimas foi trazido à reunião, em que transmitiu pelo Chico a mensagem acima, justamente pelo seu irmão Domingos, como ele, também no Plano Espiritual.
3) Abílio Zornetta — Pai. Desencarnado em 1978.
4) Maria B. Claudino Zornetta — esposa do Dimas.
5) Dr. Pedro Kamimura — médico neurocirurgião que prestou os socorros a Dimas.
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