Mensagem Recebida por Francisco Cândido Xavier
Mãezinha Elza e meu querido Papai Álvaro, rogo-lhes a bênção para o filho amigo de sempre. Estou na mesma onda de saudade em que se encontram, mas venho pedir-lhes fortaleza. Os dias passam, e as lembranças ficam.
Espero, no entanto, que as nossas se façam selecionadas. Conservemos as recordações felizes e as certezas melhores do coração.
A Vovó Marieta1 está comigo e me recomenda estarmos unidos na mesma faixa de esperança. É preciso sintonizar a estação da alma na emissora da fé viva em Deus.
Pai, compreendo. Ausência de pessoas amadas é lesão no espírito.
Dura lesão invisível que os exames do mundo não certificam. Ainda assim, atrevo-me a pedir-lhe, extensivamente à Mamãe, para ficarmos equilibrados na confiança. Não se descuidem da saúde. A hora mais difícil da criatura na Terra é aquela em que indaga de si própria: “viver para quê?”.
Auxiliem-me, sustentando o contato com a gratidão a Deus que nos uniu para sermos felizes. Agradeçamos os dias lindos, as horas de união, as bênçãos inesquecíveis da família e a tranqüilidade que nos alimenta os corações.
Penso em tudo e agradeço, incluindo os planos de amor que a nossa querida Fátima2, com tanta grandeza de coração, me inspirava, e, de todo esse tecido de lembranças, faço um tapete mágico que me transporta ao futuro, no qual nos veremos de novo juntos.
Entretanto, sei que, para merecer tanta ventura, precisamos prosseguir amando e servindo, acolhendo os corações aos quais possamos ser úteis e cooperando na felicidade dos outros. Rogo com insistência para que estejamos corajosos e animados na convicção de que Deus jamais nos abandona.
Espero que o papai continue em seu necessário tratamento de saúde. O corpo é um instrumento com que se trabalha no campo físico. Não nos será lícito largá-lo ao acaso, e sim atendê-lo em todas as requisições de socorro que se nos apresente.
Se me ampararem com alegria de viver, sei de mim que estarei mais forte, a fim de apoiá-los, conquanto me reconheça ainda tão frágil. O que peço, no entanto, é muito importante, porque a segurança espiritual na base da fé em Deus é o primeiro medicamento que valoriza qualquer outro.
Conosco veio, nesta noite, o nosso amigo Frei Clemente3, que promete amparar-nos. Cercados por amigos tão prestimosos, não podemos duvidar de que tudo está bem e de que tudo é o bem a proteger-nos, por ordem dos Céus, muito embora, muitas vezes, na Terra, o bem seja apresentado com o nome de sofrimento.
Querida Mãezinha Elza e querido Papai, reanimem-se, e doemos o melhor de nós à vida, para que a vida nos conserve cada vez mais fortalecidos para as tarefas que o Senhor nos chama a desempenhar.
Recebam os dois o abraço envolvente de amor e gratidão do filho e companheiro de sempre,
Álvaro
Uberaba, 27 de junho de 1979.
NOTAS:
1 — Vovó Marieta – Maria Celeguini Devecchi, desde 1950 no Plano Espiritual.
2 — Fátima Silveira, noiva do Álvaro.
3 — Frei Clemente batizou o Álvaro na Igreja Nossa Senhora da Conceição, bairro do Jaraguá, em São Paulo, nos idos de 1954. Veio a falecer no ano de 1968 em Santo Amaro da Imperatriz, SC. Muito sugestivo o reencontro na Vida Maior de Álvaro com o sacerdote que o batizou.
(Do livro Novamente em Casa — Edição GEEM)
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