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"Simbolicamente, a paciência é um sedativo da melhor qualidade.

Usando-se, nessa condição, ei-la fazendo prodígios.

Antes de tudo, é vacina contra a irritação, acalmando-nos a vida íntima.

E surge a seqüência de abençoadas derivações.

Resguardando-a conosco, os familiares encontram segurança e tranqüilidade.

Os vizinhos permanecem isentos de inquietações.

Os amigos descansam em nosso convívio.

Discussões negativas e diálogos inconvenientes surpreendem a estação terminal.

Conservando-a, retemos em nós o clima favorável ao cultivo da esperança.

Ao alcance de todos, é por isso que a paciência na fármacia da vida, é o específico da paz."

Emmanuel (do livro Hora Certa)

 
Edição 183
Abril/Junho 2009

Editorial

Caro leitor:

99 anos!

A bucólica Pedro Leopoldo, incrustada no centro-sul mineiro, recebia a alma cândida que, já no primeiro lustro de vida, dava exemplos de sublimada evolução. E, em data tão especial, ao recordarmos o nascimento de Chico Xavier, não vamos falar dele, mas para ele.

Um amigo, Chico, relatou-me episódio tão comovente que acho importante contar-lhe com as minhas palavras:

Chovia a cântaros numa dessas tardes do verão paulistano, e, dentro de um local de grande circulação, espécie de entroncamento rodo-ferroviário, com pessoas indo e vindo, quase que indiferentes à água do céu que fora se esbatia impiedosamente nos telhados e no asfalto das ruas vizinhas, coloquei-me em privilegiada posição de observador.

Procurei, então, fixar um que outro flagrante dessa gente humilde, acostumada aos ônibus coletivos, ao trem e ao metrô, sempre correndo para chegar ao trabalho ou voltar ao lar.
Num canto onde se situava pequena banca de livros, chamou-me a atenção singelo cartaz, com o intrigante texto:

Aqui
Livros de Chico Xavier a preços populares!!!

Próxima ao cartaz, uma senhora de cabelos grisalhos, rosto vincado, certamente por alguma dor que lhe marcava também os traços físicos precocemente envelhecidos, comprou um livro e saiu algo distraída, com os olhos fixados na capa, como se detivesse o pensamento em passado que a martirizava. Chegou mesmo a esbarrar em outros transeuntes apressados.

Pela mão tão caprichosa do destino, passou por mim, ainda com os olhos fixos no livro. Li de soslaio, escrito na capa, o nome de Francisco Cândido Xavier.

Não sopitei a curiosidade e, pedindo licença à senhora, perguntei-lhe:
— Um livro de Chico Xavier?
Olhos marejados, ela contemplou-me e falou com simplicidade:
— O Chico? Sempre quis conhecê-lo.

Desde os primeiros anos de meu casamento, ao ouvir falarem dele, vinha-me à alma uma sensação de paz, que me impelia a crer que se tratava de uma criatura tão generosa. Nunca pude fazê-lo.
O trabalho constante de muitas horas diárias, os filhos ainda pequenos e aquele orçamento familiar tão magro... Como ir até Uberaba?

Acontece que recentemente Deus levou-me um filho querido, e não tenho mais alegria.

Escondo as lágrimas, mesmo furtivas, aos outros filhos, de meu marido e da minha patroa... As noites são longas e raramente consigo dormir um pouco.

Hoje, vi o nome do Chico Xavier naquele cartaz, e a saudade de meu filho doeu tanto, mas tanto, meu senhor, que fui até a banca para ver do que se tratava.

Com surpresa, vi tantos livros de capas coloridas com o nome: Francisco Cândido Xavier. Um deles me impressionou pelo título: Jovens no Além.

Perguntei-me, será que encontro meu filho neste livro?
O livro era barato, apesar de grosso, e eu tinha os trocados para comprá-lo. Talvez tivesse que economizar por uns dois dias uma das três conduções que tomo e andar um pouco mais a pé.
Agarrei-me ao livro para começar a folheá-lo já no trem, durante o retorno a casa.

O interlocutor, muito emocionado, abraçou-a e disse-lhe:
— Cara e abnegada mãe, o seu filho não morreu. Ele e Chico Xavier vão acompanhá-la na volta ao lar... Quem sabe, algum dos passageiros, companheiros de viagem, consiga observar, junto à senhora, envolvendo-lhe a fronte cansada, uma intensa luz de delicado lilás...

Ofereço-lhe, Chico, essa narrativa, como presente de aniversário.

Penso também que a sofrida senhora tenha, com a leitura de seu livro, encontrado um pouco de paz e já descansa mais à noite, evidenciando na voz e no olhar os primeiros sinais de esperança, com a certeza de que o filho querido a acompanha em suas lutas tão duras...

Obrigado, amigo.

Caio Ramacciotti
São Bernardo do Campo, 02 de abril de 2009.



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