PALAVRAS DE UM JOVEM DO ALÉM
Jair Presente
Campinas (SP) — 10 de novembro de 1949
Americana(SP) — 03 de fevereiro de 1974
Filho de José Presente e Josefina Basso Presente.
Deixou uma irmã, Sueli Presente.
1ª Mensagem -
15 de março de 1974
Meu pai, minha mãe, minha querida Sueli, peço-lhes calma, coragem.
Não estou em situação infeliz, mas sofro muito com a atitude de casa. Auxiliem-me. É tudo, por agora, o que lhes posso dizer. Tenho a mente nublada. Consigo entender muito pouco aquilo que se passa em torno de mim. As lágrimas dos meus queridos me prendem.
Que há, meu Deus?
Não pensem que desapareci para sempre. Estarei, porém, com vocês na condição em que estiverem comigo.
Fortes, me fortalecerão. Desanimados, me farão esmorecer.
É muita coisa para observar, entretanto não posso ainda. Creio apenas que perder o corpo mais pesado não é desvencilhar-se do peso de nossas emoções e pensamentos, quando nossos pensamentos e emoções jazem nas sombras da angústia.
Eu encontrei muito amparo, mas a não ser o meu avô Basso(1), a quem me ligo pelo coração, não tenho ainda memória para funcionar aqui; minha faculdade de lembrar está com vocês, assim à maneira de um balão escravizado. Ajudem-me. Preciso ver e ouvir aqui para retomar-me como sou.
As vozes de casa chegam ao meu coração e, como se continuássemos juntos, vejo-os no quarto, guardando-me as lembranças como se devesse chegar a qualquer instante.
E o meu pensamento não sai de onde me prendem. Agradeço, sim, o amor em suas lágrimas. Agradeço o carinho em suas preces, mas venho pedir-lhes para viverem. Viverem! E viverem felizes, porque assim também serei feliz.
Esqueçam o que sucedeu, ninguém me prejudicou, ninguém teve culpa.
Mal sabia eu que um passeio domingueiro era o fim da resistência física.
O coração parou, ao modo de um motor de que não se descobre imediatamente o defeito.
Sou eu quem deu tanto trabalho aos amigos. Notei quando me chamavam, quando me abraçavam, massageavam e me faziam quase respirar sem conseguir.
Agradeço por tudo. Depois foi o sono, um sono profundo, do qual acordei para chorar com o pranto de meus pais e de meus afetos mais queridos.
Sueli, acalme-se e auxilie os pais queridos.
Nada de lamentações e reclamações.
Deixei o corpo num domingo sem extravagâncias quaisquer.
Há quem pense em drogas, quando se deixa a vida física assim qual me sucedeu. Mas não havia drogas, nem abuso da véspera. Estávamos sóbrios e brincávamos à maneira de pássaros descuidados.
Em qualquer lugar, que me achasse, a queda de forças seria a mesma.
Estou saudoso de tudo, dos familiares queridos, dos companheiros, dos estudos e das aulas; entretanto espero sarar e refazer-me. Para isso você, meu querido pai, e você, querida mãezinha, são as alavancas de que preciso para me levantar.
Aqui comigo estão o meu avô Basso e um coração de benfeitora a quem chamo Irmã Elvira(2). Estou bem, mas é preciso melhorar.
Encaremos a vida como deve ser a vida perante Deus e esperemos o futuro melhor.
Creiam que estou fazendo muita força para não acovardar-me.
Não posso aumentar-lhes os sofrimentos.
Agora, é o momento de pensarmos na fé, na fé viva, que nos ergue o pensamento para a Vida Maior. Abençoem-me e ajudem-me.
Lembrem-me estudando e não morto, porque a vida não admite a morte. Por hoje nada mais consigo escrever.
A garganta, como se eu fosse falar, está constrangida, e as lágrimas estão contidas a ponto de rebentar. Quero confiar em Deus e em vocês e por isso termino com um abraço, deixando aqui a vocês aquele beijo de todos os dias, rogando a Deus para que nos fortaleça e nos abençoe.
Jair Presente
Esclarecimentos:
Remetemos o leitor, para maiores esclarecimentos sobre a mensagem, ao livro Jovens no Além*, de modo especial ao capítulo COMENTÁRIOS (páginas 116 a 119).
Apenas identificaremos abaixo os nomes citados pelo Jair.
- Avô Basso — avô materno, Vicente Basso, desencarnado doze anos antes da recepção da mensagem, em São Pedro-SP, aos 84 anos.
- Irmã Elvira — tia e madrinha, falecida três anos antes de Jair.
* Francisco Cândido Xavier, Espíritos de Augusto, Carlos Alberto, Jair e Wady, 26ª edição GEEM, 2009. |