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Alegria é o cântico das horas com que Deus te afaga a passagem no mundo. Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.

A água da fonte é carinho liqüefeito no coração da terra e o próprio grão de areia, inundado de sol, é mensagem de alegria a falar-te do chão.

Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça tristeza entorpecente nos outros.

Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade que esperas, ergue os olhos para a face risonha da vida que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.

Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.

A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse para renovar-se diariamente, em festa de amor e luz.

Meimei - (Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier. Do livro Ideal Espírita - Edição CEC)

 
Edição 184
Julho/Setembro 2009

ALFABETO DE ESTRELAS

Amado rei,
Um dia,
Fosse pela verdade ou pela fantasia,
Procurei sobre a terra
Onde haveria de encontrar
O poema de amor, o mais terno e o mais lindo,
O poema de Luz que me pudesse dar
A notícia de Deus na grandeza da vida.

Procurei a açucena por ser flor
De aroma estranho e raro,
E ela disse não ter para ofertar
Semelhante poema
De grandeza suprema
Porque, na essência, unicamente era
Um enfeite gentil da primavera.

Pedi ao sol esse tesouro,
Mas jorrando os fotônios que produz,
Disse o sol balançando os cachos de ouro
Que somente podia oferecer
Poemas de calor, de alegria e de luz.

Roguei à fonte que me desse
Algum desses poemas imortais,
Mas a fonte me disse que podia
Afastar-me da sede e nada mais.

Pedi à brisa me envolvesse o anseio
Nesse poema assim profundo,
E a brisa respondeu, alígera e singela,
Que Deus unicamente dera a ela
O poder de acalmar o calor do verão,
Quando o verão quisesse incendiar o mundo.

Então sob a fadiga da procura
Na longa caminhada
Dormi na própria estrada
E cheguei a sonhar
Que vinhas do mais Alto,
De longe, muito longe,
Da imensidão celeste.

E me trouxeste, oh! Soberano Amado,
O excelso poema inexplicado.
Nada disseste pelo verbo humano,
Mas me entregaste, amado soberano,
O poema divino em versos dos mais sábios,
Na esplendente nudez dos próprios lábios.

Então senti, precipitadamente,
Que o poema esperado
Estava todo escrito em vibrações sublimes,
Em altas vibrações,
E eu para entendê-las
Fazia inesperadamente em mim
Um alfabeto de estrelas.

E compreendi, amado rei,
Que o poema aguardado
Era feito de luz, vida e canção
E que somente existe para mim
Por força eterna da Divina Lei,
Na luz do vosso amado coração.


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