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"Existe na paciência determinado ápice,
às vezes, pouco lembrado.

Efetivamente, é com a paciência que se ouvem acusações indébitas, sem reações violentas; que suportamos as vicissitudes da existência, sem nos queixarmos; que se toleram as ironias e os sarcasmos dos adversários gratuitos; que se atravessam com serenidade os espinheirais da incompreensão que se desenvolvem nos entes mais caros; que se agüentam injúrias e pedradas do desequilíbrio e da ignorância que ainda governam muita gente no mundo.

A paciência, em verdade, é a força que nos assegura a calma e o discernimento nas horas amargas; no entanto, é justo lembrar que tão-só na paciência encontramos a proeza de saber alguém humilhar-se e esquecer-se, chorar e sofrer, perseverar no bem e sustentar-se na luz do amor ao próximo, apesar de todas as vicissitudes da vida e continuar trabalhando e servindo sem reclamar."

Emmanuel (do livro Luz Vida)

 
Edição 184
Julho/Setembro 2009

ALFABETO DE ESTRELAS

Amado rei,
Um dia,
Fosse pela verdade ou pela fantasia,
Procurei sobre a terra
Onde haveria de encontrar
O poema de amor, o mais terno e o mais lindo,
O poema de Luz que me pudesse dar
A notícia de Deus na grandeza da vida.

Procurei a açucena por ser flor
De aroma estranho e raro,
E ela disse não ter para ofertar
Semelhante poema
De grandeza suprema
Porque, na essência, unicamente era
Um enfeite gentil da primavera.

Pedi ao sol esse tesouro,
Mas jorrando os fotônios que produz,
Disse o sol balançando os cachos de ouro
Que somente podia oferecer
Poemas de calor, de alegria e de luz.

Roguei à fonte que me desse
Algum desses poemas imortais,
Mas a fonte me disse que podia
Afastar-me da sede e nada mais.

Pedi à brisa me envolvesse o anseio
Nesse poema assim profundo,
E a brisa respondeu, alígera e singela,
Que Deus unicamente dera a ela
O poder de acalmar o calor do verão,
Quando o verão quisesse incendiar o mundo.

Então sob a fadiga da procura
Na longa caminhada
Dormi na própria estrada
E cheguei a sonhar
Que vinhas do mais Alto,
De longe, muito longe,
Da imensidão celeste.

E me trouxeste, oh! Soberano Amado,
O excelso poema inexplicado.
Nada disseste pelo verbo humano,
Mas me entregaste, amado soberano,
O poema divino em versos dos mais sábios,
Na esplendente nudez dos próprios lábios.

Então senti, precipitadamente,
Que o poema esperado
Estava todo escrito em vibrações sublimes,
Em altas vibrações,
E eu para entendê-las
Fazia inesperadamente em mim
Um alfabeto de estrelas.

E compreendi, amado rei,
Que o poema aguardado
Era feito de luz, vida e canção
E que somente existe para mim
Por força eterna da Divina Lei,
Na luz do vosso amado coração.


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