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Se o mau humor te envolve à maneira de sombra sufocante, procura examinar-lhe as origens, a fim de que possas liquidá-lo, tão imediatamente quanto possível.

Caso alguma dívida te preocupe, não será com aspereza que conseguirás os recursos preciosos, de modo a resgatá-la.

Doença quando aparece, solicita remédio e não intolerância para curar-se.

Necessitando da cooperação de alguém para determinado empreendimento, a carranca não te angariará simpatia.

Contratempos em família não se desfazem com frases vinagrosas.

Se pretendes adquirir companheiros e colaboradores, a irritação é um antigo processo de perder amizades.

Lembra-te de que ninguém consegue algo realizar sem os outros e de que os outros não são culpados por nossas indisposições e insucessos.

Ninguém sabe até hoje onde termina o mau humor e começa a enfermidade.

Não se sabe de ninguém até agora que o azedume tenha auxiliado.

Se você deseja livrar-se dessa máscara destruidora, cultiva a paciência e aprende a sorrir.

Emmanuel
(Mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier. Do livro “Calma"- Edição GEEM)

 
Edição 187
Fevereiro/Junho 2010

Biografia

FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER
Pedro Leopoldo, MG — 02 DE ABRIL DE 1910
Uberaba, MG — 30 DE JUNHO DE 2002

Francisco Cândido Xavier, Chico Xavier ou simplesmente Chico.
Assim inicio o escorço biográfico de uma das mais cativantes personalidades do século passado, que nos deixou logo no
início do terceiro milênio.

Chico atravessou a extensa e centenária caminhada de sua existência, distribuindo amor e exemplos de caridade, renúncia,
trabalho, dedicação plena ao semelhante. Seguiu na essência de seu significado o mandamento maior que Jesus nos legou.

Não é fácil falar de criaturas simples, porque a simplicidade encerra em si mesma a grandeza dalma, a humildade e, de modo muito particular, no caso específico de Chico Xavier, uma vastíssima e milenar cultura interior, que foi, do meu modo de ver, o resultado de uma longa caminhada através dos milênios aqui na Terra e de anteriores vivências em algum lugar do firmamento distante.

Não fora por suas virtudes, que muito resumidamente menciono acima, como explicar as manifestações de carinho e afeição de parte da comunidade brasileira — de todas as religiões — a alguém que desde criança manifestou intensa ligação com os
chamados fenômenos mediúnicos, sobretudo visões, vozes, escritos de evidente inspiração espiritual?

Por que Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais de todo o país lhe dedicaram cidadanias honorárias, senão pela sua laboriosa atuação no terreno do bem e do amor ao próximo?

O próprio estado natal, com suas igrejas tradicionais, a enfeitarem as cidades mineiras, divulgando na respeitável ótica do Catolicismo os ensinamentos de Nosso Mestre Jesus, honrou-o com a condição de Mineiro do Século, na virada de milênio.

No pleito, Chico superou mineiros respeitáveis e conceituados, no solo das Alterosas, em todo o nosso Brasil e mesmo no Exterior, como Santos Dumont e Carlos Drummond de Andrade.

Chico Xavier, de formação católica, tornou-se o ponto de referência do espiritismo — codificado no século XIX na França por Allan Kardec — não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. E destacou sempre, com absoluta coerência e respeito pela religião de berço, a importância de todas as religiões, que profligam em essência o materialismo, que não consola, e mostram que a Misericórdia Divina nos acompanha.

Aos cinco anos perdeu sua mãe, Maria de João de Deus, cujo falecimento deixou o pai, João Cândido Xavier, humilde operário
em Pedro Leopoldo, Minas, viúvo com nove filhos, sendo Chico o caçula.

O pai distribuiu transitoriamente os filhos, até, anos mais tarde, o novo casamento com Cidália Batista. Criatura boníssima, a segunda mãe de Chico logo deixaria, por falecimento precoce, esposo e filhos, com uma família enriquecida de mais seis crianças...

Enquanto ficou na casa da madrinha Rita de Cássia, o rigor dessa senhora, a quem Chico sempre endereçou palavras de agradecimento e respeito, o fez lamber feridas de outra criança, para curá-las, o que efetivamente aconteceu. Ali pôde reencontrar a mãezinha tão amada, Maria de João de Deus,
que, em espírito, aparecia-lhe no quintal da casa, conselhando-o a respeitar a madrinha e a confiar em Deus, pois que, com o tempo, ele teria uma segunda mãe amorosa e amiga.

Não pôde freqüentar a escola como desejava, cursando com dificuldade apenas os primeiros anos de letras, devido ao trabalho duro e implacável que atingia altas horas da noite, para ajudar no magro orçamento familiar.

Em 1927, aos 17 anos, ingressou no Ministério da Agricultura, que mantinha a Fazenda Modelo em Pedro Leopoldo, pelas
mãos de um de seus benfeitores na Terra, o diretor do órgão federal Dr. Rômulo Joviano. Ali trabalhou até a aposentadoria, com singular exemplo de assiduidade, nunca tendo faltado ao trabalho.

A partir de 1931, já com a supervisão espiritual de seu enfeitor, o espírito de Emmanuel, suas atividades mediúnicas, que se haviam iniciado de modo mais regular em 1927, ganharam notoriedade com o lançamento de Parnaso de Além Túmulo, obra poética assinada por vates respeitáveis do Brasil e de Portugal.

O livro é uma sucessão de poemas que bravamente resistiram à crítica literária, que, atônita, viu pelas mãos de um mineiro, até
então desconhecido, descer ao nosso mundo uma catadupa de luzes, sob a inspiração de conhecidos poetas patrícios e de Além-Mar.

Surgiu uma sucessão de livros: romances, crônicas, mensagens, poesia. Passam dos 400 (!) em nossos dias, e o número aumenta com trabalhos póstumos, jóias que começam a vir a lume, depois de guardadas no escrínio do coração por amigos do saudoso Chico.

Todos os livros tiveram seus direitos autorais doados por Francisco Cândido Xavier a editoras espíritas que, além de
divulgá-los, sem o objetivo de lucro, deveriam obrigatoriamente destinar recursos a tarefas de cunho filantrópico, relacionadas
a orfanatos, asilos, creches e outras atividades de solidariedade às populações carentes de nosso país.

O universo dos espíritas se enriqueceu com o que passou a ser marca dessa religião: a preocupação com o semelhante, com suas dificuldades materiais e espirituais e com os padecimentos físicos e sofrimentos da alma.

Milhares de milhares de pessoas que perderam entes queridos receberam por décadas mensagens dos familiares que partiram. Puderam encontrar o norte perdido pela dor ingente que as lágrimas testemunhavam nas reuniões públicas de Pedro Leopoldo e Uberaba.

Quem observava Chico Xavier a ler essas mensagens, após recebê-las, notava que as lágrimas rolavam-lhe dos olhos cansados e lhe embargavam a voz, nos últimos tempos enfraquecida pela idade.

Muitas dessas mensagens fazem parte de livros que compõem o vasto acervo produzido pelo médium de todos os brasileiros,
cuja produção editada ultrapassa os vinte milhões de exemplares, dos quais Chico nunca recebeu qualquer centavo.

As edições de seus livros em inglês, castelhano, francês, italiano, japonês, russo, etc, etc, se multiplicam.

Sua mudança em 1959 para Uberaba não lhe alterou o rumo da vida de sacrifícios, não obstante a merecida aposentadoria
como funcionário público federal, ligado ao Ministério da Agricultura.

Continuou a dedicar-se integralmente ao semelhante e à vivência integral do Evangelho, mergulhando madrugada adentro no exercício das tarefas que abraçara.

Dormia pouquíssimo, não sendo raro avançar a noite até a manhã seguinte. Isso ocorria nas reuniões públicas de Pedro
Leopoldo e Uberaba, nas viagens pelo país, quando do recebimento dos títulos de cidadania e das Tardes-Noites de Autógrafos. Muitas delas presenciei, vendo o Chico despedir-se de todos os que o procuravam, um a um, com uma rosa na mão,
mostrando o seu sorriso amigo, já iluminado pelos raios de sol na manhã que se iniciava.

Em seus comparecimentos freqüentes, a um tempo, na Televisão, soube cativar os lares que o viam e ouviam atentamente com sua mensagem de paz e esperança.
Deixou-nos aos 92 anos, do mesmo modo que sempre viveu. Sem querer dar trabalho a ninguém, sem demonstrar sofrimentos, ainda que nunca tenha tido boa saúde. Partiu para os Céus, para a sua Pátria Espiritual, sorrindo, como a nos dizer: — Amados irmãos, eu vos amo muito. Obrigado por tudo de bom que vocês me proporcionaram. Amai-vos uns aos outros, como o Senhor nos amou.

Chico viveu e morreu como um justo, uma alma amiga, uma criatura despojada de valores outros que não a simplicidade e o
respeito a Deus. Sofreu com o sofrimento, sem, contudo,
esconder-nos seu sorriso generoso, amigo, de quem sempre estava de bem com a vida.


GEEM - Grupo Espírita Emmanuel
1° de fevereiro de 2010



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