Palavras de gratidão
Autoridades presentes, membros da colônia portuguesa que compõem o Palácio João Ramalho, plenário de nossa casa de Leis.
Singular e bastante expressiva a homenagem que os ilustres portugueses de São Bernardo do Campo prestam a Francisco Cândido Xavier, Cidadão Honorário de nossa cidade, desde abril de 1972.
Quando recebemos no GEEM a visita de Manuel Rodrigues de Almeida, representando os ibéricos ocidentais da península, e de Marcelo Rocco, Assessor de Cerimonial do Presidente da Câmara Municipal, vereador Otávio Manente, surpreendemo-nos com tão inusitado convite.
Os méritos de Chico Xavier são notórios, mas por que especialmente os portugueses aqui residentes pensaram em homenageá-lo?
Almeida nos explicou que Chico Xavier, ao receber as mensagens de Inês de Castro, tocou a alma portuguesa, exaltando com rara beleza o amor cantado em versos por Júlio Dantas.
Segundo ele, as cartas de Inês de Castro, que reportam ao período medieval, destacam episódio deveras importante da história portuguesa, evidenciando da Vida Espiritual facetas que enaltecem o bravo povo lusitano.
Pediu-nos nosso caro amigo que falássemos, no Palácio João Ramalho, da vida de Inês de Castro e do porquê de suas palavras chegarem até nós seis séculos depois, pelas mãos do Chico.
E cá estamos, diante de seleta platéia, para falar um pouco da bela e cativante galega.
Todos vocês presentes, mormente os amigos de Portugal, conhecem a história de Inês.
Nascida na Galícia, filha de influente nobre castelhano, muito presente a um tempo na corte portuguesa, e de dama bastarda de ascendência lusitana, Inês tocou em seus escaninhos o coração do príncipe herdeiro, D. Pedro I, filho do sétimo rei da dinastia afonsina, Afonso IV.
Os fatos ocorreram em torno de meados do século XIV, tempos rudemente castigados pela peste negra e pelas guerras.
Nebulosas razões de Estado não permitiram que o amor se materializasse, não obstante terem Pedro e Inês vivido juntos alguns anos, quase que no anonimato, fugindo aos olhos determinados do rei.
Na triste manhã de 7 de janeiro de 1355, Inês foi decapitada por decisão real, na ausência do príncipe herdeiro, que se afastara de Coimbra para caçada em Penacova.
O que ocorreu depois sabem vocês, caros portugueses: a revolta de D. Pedro, o seu reinado profícuo, algo turbulento, e tudo o mais.
Reencontraram-se essas almas afins no Outro Lado da Vida, 12 anos depois do cruel assassínio de Inês, pela morte relativamente prematura de D. Pedro I em Estremoz, no Alentejo, a 18 de janeiro de 1367.
A decisão do rei Afonso IV com relação a Inês de Castro lembra, nas justas proporções, a crucificação do Cristo. Motivos não havia, foram forjados.
É tocante o fato de Inês mencionar, em uma de suas mensagens transmitidas ao Chico, impressionante sonho premonitório a respeito de seu futuro em Portugal.
O sonho lhe trouxe a íntima convicção de que teria um fim triste e inexorável no solo português, sem poder a donzela de angelical beleza, com seus cabelos loiros da cor do sol, realizar seus anseios em terras lusitanas.
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