O Amor
O amor de Inês é o típico amor português, materializado nos versos de Júlio Dantas:
Tão simples tudo! Amor, que de rosas se inflora:
Em sendo triste canta, em sendo alegre chora!
Ao contrário do que se pode supor, em função das ditas razões de Estado, Inês e Pedro viviam o ‘amor simplicidade’, lembrado pelo poeta, sem quaisquer preocupações com as querelas do poder.
Amavam-se e, junto aos filhos que tiveram, constituíram uma família voltada às corriqueiras ocorrências do dia-a-dia.
Inês, como parece suporem os desavisados, não tinha qualquer ligação com as idéias de poder dos irmãos, Fernando e Álvaro, nem se envolvia em tricas políticas, encontradiças nas conversas habituais da nobreza de então.
As conseqüências da ligação afetiva com o herdeiro de Afonso IV a intranqüilizavam muito, tendo mesmo cogitado seriamente, antes de unir-se a Pedro, em ingressar no Convento de Santa Clara, edificado no início do século XIV pela Rainha Santa, a Santa Isabel reverenciada na Península Ibérica.
Vemo-la, qual mãe extremosa, preocupada com a saúde das crianças, voltada aos momentos em que ela, o príncipe e os filhos restavam juntos, nas noites frias ou nos dias ensolarados, no Paço da Serra, na Quinta de Canidelo e finalmente na Quinta das Lágrimas, em que viveram os últimos meses de sua fugaz união.
Antes de morrer, teria suplicado ao rei D. Afonso IV pela sua vida, para que cuidasse dos filhos queridos, ainda que, se necessário, longe de Portugal.
Pedro prometeu-lhe, segundo Inês nos diz em uma de suas mensagens, que a coroaria rainha mesmo depois de morta, em resposta ao sonho triste que Inês tivera antes da chegada a Portugal, como dama de companhia de Constança Manoel. Infelizmente foi o que ocorreu.
Há discussões sobre o reinado de D. Pedro, com um saldo favorável no entender de Alexandre Herculano, do cronista Fernão Lopes e mesmo de dignos historiadores e literatos, da estatura intelectual de Moraes Sarmento e de Mário Domingues.
Caso Inês estivesse viva durante o seu reinado, não resta qualquer dúvida de que esse período seria muito mais profícuo, com a presença de alma tão iluminada quanto à de Isabel de Aragão, nobre e rica rainha, santa esposa de D. Dinis (avô de D. Pedro), que deu tudo de si aos carentes do corpo e da alma.
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