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"Nos tempos modernos, mentalidades existem que pugnam pelo desaparecimento das noções religiosas do coração dos homens, saturadas do cientificismo do século e trabalhadas por idéias excêntricas, sem perceberem as graves responsabilidades dos seus labores intelectuais, porquanto hão de colher o fruto amargo das sementes que plantaram nas almas jovens e indecisas.

Pede-se uma educação sem Deus, o aniquilamento da fé, o afastamento da esperança numa outra vida, a morte da crença nos poderes de uma providência estranha aos homens.

Essa tarefa é inútil.

Os que se abalançam a sugerir semelhantes empresas podem ser dignos de respeito e admiração, mas assemelham-se a alguém que tivesse a fortuna de obter um oásis entre imensos desertos. Conformados e satisfeitos na sua felicidade ocasional, não vêem as caravanas inúmeras de infelizes transitando sobre as areias ardentes."

Emmanuel (do livro Cura)

 
Chico Xavier


Na noite de 30 de junho de 2002, apagou-se uma luz na Terra e surgiu uma estrela no Céu.

É correta a afirmação que faço acima? Apenas em parte. E explico por quê:
Há seis anos, a alma mais esplêndida que conheci mudou-se para a Vida Espiritual. Mas deixou suave luminosidade lilás entre nós, apesar de também transportá-la consigo para a sua morada, em que certamente habitam Lívia, Isabel de Aragão, Célia Lucius, Maria de João de Deus, e de onde veio nosso Emmanuel.
Meu Deus, como é possível permanecer entre nós a luz de alma tão cara e, ao mesmo tempo, essa luz seguir-lhe a caminhada rumo das novas paragens?

O Chico, que aprendi a chamar Alma Bendita, por inspiração de um grande amigo, foge aos nossos parâmetros de avaliação. Sua luz terna, amorosa e indelével brilha sempre onde são reverenciados seu nome e sua imagem tão simples e tão grandiosa:
— Nos hospitais, nas casas de hansenianos que visitava, nos lares incontáveis, que dele receberam mensagens ou palavras de alento e esperança, nos locais em que a dor insiste em habitar e nos corações de seus amigos que buscam de todas as maneiras aproximar-se das fímbrias de luz imarcessível que dele sempre emanaram.

Por isso, Francisco Cândido Xavier, para mim simplesmente Alma Bendita, você é onipresente.
Recordá-lo traz sempre à lembrança — dos que pessoalmente ou mesmo à distância o conheceram — uma palavra de consolo, uma frase amiga, um poema inspirado, um gesto espontâneo de afeição e amizade.
Alma Bendita, não fujo à regra. Hoje, a cada dia, percebo que nosso convívio inapagável e saudoso poderia ter sido mais intenso, pois creio que, vivenciando suas lições e exemplos, eu seria espiritualmente melhor. Mas o tempo passou...

José de Alencar conclui seu poema em prosa, Iracema, afirmando que tudo passa sobre a Terra.

Discordo de nosso grande escritor, ponderando que nem tudo passa...

Você , Alma Bendita, não passou. Sinto-lhe a presença na atmosfera que me envolve, nos momentos fugazes de alegria e nos instantes mais densos de preocupações.

E sinto de modo tão simples: você é o sândalo que perfuma nossas vidas, é a alma gentil que nos dá alento, que nos ilumina e que nos faz ver a aurora e o poente como as manifestações da natureza que tanto sensibilizaram Raul Pompéia. Você se lembra, caro amigo, de nossos papos a respeito?

Eu me lembro muito bem e, neste dia de saudade, reitero, em breves palavras, o que vasculhei no âmago da alma para lembrar-lhe a ausência física:
— Nunca pensei que a vida, com sua falta em mim, doesse tanto...

Caio Ramacciotti

 

 


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