No Limiar do Amanhã

Programa "No Limiar do Amanhã"

Todos os sábados às 19 horas.

Rádio Morada do Sol (Rádio Mulher)

 São Paulo - AM 1260 khz
 Araraquara - AM 640 khz

Sempre com palestras sobre temas
ligados ao Espiritismo.

 

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Revista Comunicação

Revista Comunicação

 

Leia a edição on-line

Grupo Casimiro Cunha - Biblioteca Braille

Ao meu caro Quintão

 

Quintão¹, eu sei da saudade

Que te aperta o coração,

Dos nossos dias passados,

Que tão distantes se vão.

 

Vassouras!... belas paisagens

Cheias de vida e de cor,

Um céu azul e estrelado

Cobrindo uns ninhos de amor.

 

Árvores fartas e verdes

Pela alfombra dos caminhos,

A ermida branca e suave

De ternos, doces carinhos.

 

O nosso amigo Moreira

E a sua barbearia,

Onde uma vez me encontraste

Na minha noite sombria.

 

Detalhes cariciosos

Da vida singela e calma,

Vida de encantos divinos

Que eu via com os olhos dalma.

 

Meus pobres versos - "Singelos",

"Aves implumes" da dor,

Que traduziam no mundo

O meu pungente amargor.

 

A minha pobre Carlota,

A companheira querida,

O raio da claridade

Da noite da minha vida.

 

Os artigos do Bezerra²
De outros tempos, no "O País",

O mestre da Velha Guarda,

Unida, forte e feliz.

 

A tua doce amizade

À luz do consolador,

Teu coração generoso

De amigo, irmão e mentor.

 

Ah! Quintão, hoje os meus olhos

Embebedam-se de luz,

Pelas estradas sublimes

Da santa paz de Jesus!

 

Mas não sei onde a saudade

É mais forte nos seus véus,

Se pelas sombras da Terra,

Se pelas luzes dos Céus.

 

Casimiro Cunha

 

(Extraída do livro "Parnaso de Além-túmulo" 16ª edição FEB, pág 207).

 

(1) Manuel Quintão nasceu em 28/05/1874 na cidade deValença-RJ e mais tarde radicou-se em Vassouras. Foi guarda-livros, depois de lutar com imensas dificuldades, como jovem sem recursos financeiros, nas posições mais modestas do comércio. Chefe de família numerosíssima, estudioso incansável, conseguiu, como autodidata, invejável cultura humanística. Foi jornalista, ingressando na FEB em 1903, integrando-lhe o quadro social por 44 anos. Médium curador e espírita militante durante mais de meio século, desencarnou em 16 de dezembro de 1954 no Rio de Janeiro.

 

(2) Em 16 de agosto de 1886, com quase cinqüenta e cinco anos, diante de um auditório de duas mil pessoas, na sala de honra da Guarda Velha, Dr. Bezerra de Menezes anunciou publicamente sua adesão ao Espiritismo. O acontecimento tomou de surpresa a sociedade , já que ele era homem de grande influência. O comunicado público seguiu-se de trabalho árduo no meio espírita. Em 1887, o Médico dos Pobres passou a escrever uma série chamada "Espiritismo - Estudos Filosóficos", que saía aos domingos no jornal "O País", com o pseudônimo de Max. Vale lembrar que na época esse era o jornal mais lido no Brasil. Continuaria a série de artigos até o Natal de 1894. Escreveria depois, com o mesmo pseudônimo, em outros dois jornais sempre em defesa dos postulados do Cristo Jesus, calcado na visão espírita.