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ROLANDO E CHICO

Nos idos da década de 1950, Rolando Ramacciotti conheceu Chico Xavier em Pedro Leopoldo.

A partir daí até sua desencarnação, raras criaturas, creio com convicção, vivenciaram a amizade que Rolando dedicou ao abnegado apóstolo de Jesus que atravessou o século passado semeando amor e testemunhando os ensinos do Mestre.

Esteve presente em todos os momentos significativos da vida de Chico, visitando-o com singular e constante regularidade. Enfrentou, a seu lado, lutas tácitas ou públicas, ao longo dos 25 anos de convivência.

As Tardes de Autógrafos dos anos 70, bem como os Títulos de Cidadania, tiveram-no sempre presente, junto ao Chico.

Rolando não admitia que alguém se despedisse do nosso amado médium depois dele, de molde a ser sempre seu o último abraço ao venerando amigo.

Lembro-me, com clareza, das inúmeras vezes que o acompanhei a Pedro Leopoldo, a Uberaba ou aos locais das solenidades, em que o carinhoso beijo de despedida ocorria já com a Terra inundada pelos primeiros raios do Sol que anunciavam o novo dia.

Com lágrimas de dor e saudade, vêm-me à memória os últimos dias de permanência de Rolando Ramacciotti conosco.

Na tarde da terça-feira que lhe precedeu a partida, cansado, respirando com dificuldade, pediu-me que tentasse localizar o Chico que, por feliz coincidência (?), estava em São Paulo e  à noite foi visitá-lo. Conversaram duas horas ininterruptas, até que o Chico entendeu que Rolando deveria descansar.

Talvez tenha sido a única vez nos colóquios que mantiveram ao longo do tempo em que só o Rolandão falou. Historiou todas as suas atividades, desde a visão espiritual de 1935, que lhe mudou a vida, e de que falo em seu escorso biográfico no site do GEEM. Foi uma cabal prestação de contas ao seu mentor maior na Terra. Pouco menos de 48 horas depois, a 13 de dezembro de 1979, Rolando expirava.

No primeiro reencontro, após seu falecimento, em janeiro seguinte, Chico me disse:
— Caio, quando você telefonou naquela terça-feira, o Dr. Bezerra pediu-me que fosse logo ver o nosso caro Rolando e que o ouvisse o tempo necessário, porque suas palavras eram de despedida...
Hoje, ambos se acham no Plano Espiritual. Imagino o saudoso pai, nas tertúlias que lá acontecem, anelando proteger com seu corpo de gigante o Chico, do mesmo modo que o fazia por aqui.

Ou talvez alguém já lhe tenha soprado ao ouvido:
— Rolando, meu filho, os tempos são outros, não há mais distâncias. As almas que se prezam estão sempre juntas, unidas pelo magnetismo maior que as aproxima por mecanismos tais que os tempos ainda nos levarão a compreender.

Amamo-nos quando estamos próximos, sem obstáculos palpáveis ou quando nos separam barreiras inexpugnáveis como o oceano infinito ou o Himalaia que tange o céu…

Caro pai e querido Chico. Foi assim que eu aprendi a pensar.

 




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